sexta-feira, 26 de outubro de 2012

pressentimento

as toscas paredes caiadas,
cercadas por montes que o tempo, com infinita paciência,
arredondou e poliu quase até ao osso granítico

a tez morena da terra lavrada
que as primeiras chuvas cobriram de uma penugem verde e tenra
que se deixa trespassar pela luz da tarde e se eriça à mais leve aragem

em tudo,
o pressentimento do frio que já caminha, sorrateiro, pelos caminhos alagados
e que, em breve, virá ocupar o seu lugar na velha casa destelhada

4 comentários:

Marcos Satoru Kawanami disse...

Francisca,

Eu sou distraído. Mas, hoje, relendo o começo do meu blogue, vi um comentário de OS PORTUGAS em que vc escreve com o perfil Caneta. Daí, apertei o botão, e vi seu perfil Francisca Matos.
Vc comentou só uma vez, e eu, na época, lamentei que vc não mais lesse meu blogue.
Este seu poema é muito triste, e eu entendi um sentido que deve ser mudado; a visão de mundo deve mudar. Eu escrevia coisas tristes e era pessimista, mas, hoje em dia, mesmo quando estou triste, bem, quando estou triste, não escrevo, e costumo escrever coisas analíticas ou coisas alegres ou otimistas; foi pensando ao longo de muitos anos que cheguei a isso.
Eu também estou só, não tive filhos, e separei-me de minha esposa; mas tenho 37 anos, e não me sinto triste; tudo se encaminha para o bem.

Francisca Matos disse...

Marcos

Agradeço o seu comentário e a sua perspicácia. Resumindo um pouco e tendo em conta o que você diz sobre a sua evolução na escrita eu diria que escrevo para chegar lá, a esse lugar luminoso e sereno.

Marcos Satoru Kawanami disse...

Francisca,

Chegarás, todos temos de chegar.

Francisca Matos disse...

Nisso, também eu acredito, Marcos.