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quarta-feira, 31 de outubro de 2012
terça-feira, 30 de outubro de 2012
De uma certa mi(n)tologia nacional
O mito de sempre: o da fundação, feito à espada por D. Afonso Henriques e velho de oito séculos.
O mito de agora: o da refundação do programa da troika, ou seja, das funções sociais do estado, proposto às pressas por Passos Coelho, para pedir apoio ao PS e garantir cobertura política para os seus planos mirabolantes (repare-se no claro e intencional pendor "nacionalista" da sinalética do cenário usado para este discurso, proferido na própria assembleia da república - ler aqui).
Porém, como o mito mais fundamental de todos - o da criação do crescimento económico - continua por inventar, é com a realidade da afundação nacional que temos de aprender a lidar (ver aqui).
O mito de agora: o da refundação do programa da troika, ou seja, das funções sociais do estado, proposto às pressas por Passos Coelho, para pedir apoio ao PS e garantir cobertura política para os seus planos mirabolantes (repare-se no claro e intencional pendor "nacionalista" da sinalética do cenário usado para este discurso, proferido na própria assembleia da república - ler aqui).
Porém, como o mito mais fundamental de todos - o da criação do crescimento económico - continua por inventar, é com a realidade da afundação nacional que temos de aprender a lidar (ver aqui).
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
MIG - Men in Gray
Aguiar Branco estrea-se na realização cinematográfica com um filme de ficção científica intitulado MIG - Men in Gray, ou Homens de Cinzento, no qual também desempenha o papel de protagonista (ler notícia aqui).
Este filme relata a história de um ministro da Defesa que, no governo, procura lidar com as ameaças alienígenas no país. Descobre então que os tais alienígenas assumiram a forma de comentadores de "fato cinzento e gravata azul", o que lhes permitiu ter acesso aos media. Assim disfarçados, procuram levar a cabo um plano tão maquiavélico quanto brilhante: à hora dos telejornais tentam, por todos os meios, persuadir a população da inutilidade das forças armadas para assim conseguirem enfraquecer e desarmar o exército que, em caso de ataque maciço dos alienígenas, não terá condições para ripostar. Aguiar Branco é o ministro da Defesa que descobre e denuncia publicamente estes perigosos planos, assumindo-se como o herói de serviço que tudo fará para salvar a pátria deste ataque fatal.
O filme ainda não tem estreia marcada, mas o anúncio ocorrido ontem (ver aqui) despertou desde logo a curiosidade e o interesse de todos.
Resta dizer que alguns dos comentadores políticos mais influentes do país fizeram questão de, à hora dos telejornais, comentar de forma jocosa esta estreia cinematográfica do nosso herói nacional, perdão, ministro da Defesa. Algo que não deixa de ser suspeito... ou então, alguém no governo anda a ver muitos filmes como este, provavelmente em horário de expediente:
domingo, 28 de outubro de 2012
A Olea europaea dos pés à cabeça
Estas imagens são dedicadas ao Marcos que,
por estar do outro lado do Atlântico,
nunca viu/tocou nenhuma
nos braços-ramos segura os frutos que (nos) oferece
no corpo-tronco as marcas que o tempo foi gravando
e os pés-raízes bem assentes na terra nem sempre amena, nem sempre fácil
sábado, 27 de outubro de 2012
Olea europaea
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
pressentimento
as toscas paredes caiadas,
cercadas por montes que o tempo, com infinita paciência,
arredondou e poliu quase até ao osso granítico
a tez morena da terra lavrada
que as primeiras chuvas cobriram de uma penugem verde e tenra
que se deixa trespassar pela luz da tarde e se eriça à mais leve aragem
em tudo,
o pressentimento do frio que já caminha, sorrateiro, pelos caminhos alagados
e que, em breve, virá ocupar o seu lugar na velha casa destelhada
cercadas por montes que o tempo, com infinita paciência,
arredondou e poliu quase até ao osso granítico
a tez morena da terra lavrada
que as primeiras chuvas cobriram de uma penugem verde e tenra
que se deixa trespassar pela luz da tarde e se eriça à mais leve aragem
em tudo,
o pressentimento do frio que já caminha, sorrateiro, pelos caminhos alagados
e que, em breve, virá ocupar o seu lugar na velha casa destelhada
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
"as ficções que contam"
"... livros destes, as ficções que contam, fazem-se, todos e todas, com uma continuada dúvida, com um afirmar reticente, sobretudo a inquietação de saber que nada é verdade e ser preciso fingir que o é, ao menos por um tempo, até não se poder resistir à evidência inapagável da mudança, então vai-se ao tempo que passou, que só ele é verdadeiramente tempo, e tenta-se reconstituir o momento que não soubemos reconhecer, que passava enquanto reconstituíamos outro, e assim por diante, momento após momento, todo o romance é isso, desespero, intento frustrado de que o passado não seja coisa definitivamente perdida. Só não se acabou ainda de averiguar se é o romance que impede o homem de esquecer-se, ou se é a impossibilidade do esuqecimento que o leva a escrever romances."
José Saramago, In História do Cerco de Lisboa;
Lx: Círculo de Leitores, 1989, p. 56
terça-feira, 23 de outubro de 2012
A dúvida
Perante um ex-secretário de estado das obras públicas, agora deputado, que, aos 47 anos, declara publicamente necessitar da ajuda financeira dos pais para sobreviver, fica a dúvida:
- será um caso extremo de adolescência prolongada?
- um exemplo óbvio de má gestão das finanças pessoais? (como seria com as públicas, quando estava no governo?)
- ou será mas é um caso de abuso e exploração de pessoas idosas a ser denunciado sem demora para a Linha do Idoso da Provedoria de Justiça?
Diz ainda que necessita da ajuda financeira dos pais, mas depois refere que fará investimentos que lhe poderão vir a garantir bons rendimentos no futuro.
No meio de tanto palavreado, a única coisa que fica bem clara é que o homenzinho é um idiota chapado que, por via do cartão partidário e por ter lambido as botas certas, no momento certo, conseguiu chegar a secretário de estado das obras públicas. E nós a pagar, claro!
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
A este ritmo...
![]() |
| Ler notícia aqui |
... não tardará muito até que o 1º ministro convoque a imprensa para nos anunciar que teremos de nos contentar com um naco de pão e um quarto de carapau frito ou de sardinha assada (no tempo dela).
Devagar, o tempo transforma tudo em [menos] tempo
ou a "Explicação da eternidade", por José Luís Peixoto, In A Casa, A Escuridão. Lx: Ed. Temas e Debates, 2002
domingo, 21 de outubro de 2012
sábado, 20 de outubro de 2012
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Todas as palavras
As que procurei em vão,
principalmente as que estiveram muito perto,
como uma respiração,
e não reconheci,
ou desistiram e
partiram para sempre,
deixando no poema uma espécie de mágoa
como uma marca de água impresente;
as que (lembras-te?) não fui capaz de
dizer-te
nem foram capazes de dizer-me;
as que calei por serem muito cedo,
e as que calei por serem muito tarde,
e agora, sem tempo, me ardem;
as que troquei por outras (como poderei
esquecê-las desprendendo-se longamente de
mim?);
as que perdi, verbos e
substantivos de que
por um momento foi feito o mundo
e se foram levando o mundo.
E também aquelas que ficaram,
por cansaço, por inércia, por acaso,
e com quem agora, como velhos amantes sem
desejo, desfio memórias,
as minhas últimas palavras.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Cantigas à desgarrada
E começa o primeiro cantador:

"Este Orçamento é a fatura do passado",
"esta fatura é a (...) da festa socialista"
Digo eu ao povo já baralhado
A ver se lhes tapo a vista
E logo responde o cantador desafiado:
"É preciso descaramento",
para lançar tal "epifânia"*
"sobre um milhão de desempregados"
que no meu tempo andavam todos enganados

"Este Orçamento é a fatura do passado",
"esta fatura é a (...) da festa socialista"
Digo eu ao povo já baralhado
A ver se lhes tapo a vista
E logo responde o cantador desafiado:
"É preciso descaramento", para lançar tal "epifânia"*
"sobre um milhão de desempregados"
que no meu tempo andavam todos enganados
Muito bem cantam as cigarras. Esta formiga é que já não se anima com tais cantigas. Começo até a achá-las um tanto ou quanto repetitivas.
Talvez fosse melhor mudar os tocadores, ou a música, ou talvez mesmo os cantadores....
*Observ. - a palavra "epifânia" está grafada assim mesmo no jornal (ver aqui) o que, no mínimo, revela a ignorância, ou do líder da bancada parlamentar socialista, ou do próprio jornalista que redigiu a notícia. Seja como for, para o caso tanto faz. Aliás, até reforça ainda mais a natureza surrealista desta pouco edificante comédia em cena todos os dias no Parlamento.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Mensagem aberta
Sr. Ministro das Finanças
Notícias recentes vindas a público dão conta do seu firme propósito de "retribuir" ao país a educação "extraordinariamente cara" que recebeu.
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| Ler notícia aqui |
Contudo, os fracos resultados obtidos até agora na contenção/redução do défice público e, sobretudo, o descalabro social e económico proposto por V. Exa. no OE do próximo ano permitem-me duvidar seriamente da relação "preço-qualidade" dessa tão cara formação que o país lhe proporcionou. Receio que, também nesta matéria e mais uma vez, tenhamos feito "um mau negócio" (para não variar).
Assim sendo, venho por este meio declarar que, pela parte que me toca, me sinto já plenamente "recompensada" e, por isso, informo ainda V. Exa. de que prescindo desde já da honra de continuar a beneficiar das suas "dádivas" patrióticas, deixando-o totalmente livre para prosseguir essa sua caminhada gloriosa até aos campos elíseos da sabedoria académica.
Sem outro assunto, subscrevo-me com elevada consideração intelectual
PS - Ah, e já agora sr. Ministro, faça-nos um último favor: leve consigo este emplastro. Essa é que era uma verdadeira "dádiva" que o país, reconhecido, certamente saberia agradecer a V. Exa...
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