quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
White as Diamonds
I've known mornings
white as diamonds
silent from a night so cold
such a stillness
calm as the owl glides
our lives are buried in snow
white as diamonds
silent from a night so cold
such a stillness
calm as the owl glides
our lives are buried in snow
Título por haver
![]() |
| Leonardo da Vinci: O Homem Vitruviano, 1492 |
No meu poema ficaste
de pernas para
o ar
(mas também eu
já estive tantas vezes)
Por entre versos vejo-te as mãos
no chão
do meu poema e os pés tocando o título
(a haver quando eu
quiser)
Enquanto o meu desejo assim serás:
incómodo estatuto:
preciso de escrever-te
do avesso
para te amar em excesso
Ana Luísa Amaral, in "366 poemas que falam de amor",
Lx: Quetzal, Ed., 2009
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Não subestimemos o sr. Silva
Estava eu firmemente decidida a ignorar as habituais futilidades de dia de ano novo do sr. Silva, quando os acontecimentos destes últimos dias e a sua eficaz gestão do "silêncio, não vá sair asneira!" me levam a estar muito interessada em ouvir o que ele tem para me dizer. O que, nas atuais circunstâncias, não é despiciendo.
Aliás, parece até que o homem fez de propósito para ver se o pessoal se decide a ouvir a tal mensagem. Por isso, digo: é melhor não subestimarmos o sr. Silva... Está visto que ainda tem uns trunfos na manga. E a melhor prova disso é que já vai no segundo mandato.
Post-scriptum (23.50) - Mais uma vez o sr. Silva fintou tudo e todos. Preferiu explicar a crise aos tótós e deixar no ar umas ligeiras dúvidas... Haja paciência!
Post-scriptum (23.50) - Mais uma vez o sr. Silva fintou tudo e todos. Preferiu explicar a crise aos tótós e deixar no ar umas ligeiras dúvidas... Haja paciência!
Pessoa(l)
Amigo, vem deitar-te comigo à beira do precipício e,
quietos,
olhemos de frente a profundidade do abismo
até
o sabermos de cor.
Depois,
enlacemos as mãos e contemplemo-nos
no
mútuo espelho líquido dos olhos
numa
tácita aceitação do risco de estarmos aqui.
Outros
há que preferem caminhar apressados
sobre
brasas, esperando ficar ilesos. Mas nós
escolhemos
ficar assim, estendidos lado a lado,
sentindo
ainda a firmeza do chão sob o corpo,
ao
mesmo tempo que já as mãos do calafrio
nos
sobem, leves, pelas costas.
Neste
fio de navalha que nos
entrecorta
a respiração
nos
deixemos então fluir como se
acreditássemos que é possível amansar o vazio.
acreditássemos que é possível amansar o vazio.
Ou
talvez apenas esperemos que
ainda
não seja hoje o seu dia de fruir.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Frases de cabeceira - 14
Estou em Sines e sinto-me bem. E estou lá, também, porque não tenho outro sítio nenhum para ir. Cheguei a um ponto da minha vida que não há sítio no mundo para onde se possa ir viver e ser feliz. Sines é um lugar onde tenho conforto, onde me protejo, onde ninguém me aborrece, onde posso ter uma vida diferente, sem ser autor... Sou pelo profissionalismo do escritor e da edição... mas preciso de recarregar baterias, de me proteger do mundo, também. E, lá, nada me interrompe a vida.
Al Berto, in Diários,
Assírio e Alvim, 2012
domingo, 30 de dezembro de 2012
sábado, 29 de dezembro de 2012
Desejos de Novo Ano
Tão impossíveis quanto possível. Como convém nestas ocasiões.
Este (Satisfied Mind) nem com 12 mil passas lá iria...
Este (Satisfied Mind) nem com 12 mil passas lá iria...
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Dois pesos e duas medidas
Num país governado(?) por este, quem é que pode levar a mal este?
(Eu cá não. Pois se nem os especialistas duvidaram dele...)
Mas afinal o que é que falta a esse tal de Artur Baptista da Silva para ser "especialista"? Um diploma da Lusófona?...
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Frases de cabeceira - 13
Só há dois tempos na vida: o imediatamente ou o malogradamente. Ou é agora ou é tarde demais.
Pedro Chagas Freitas, in Livro de Aforismos e Mentiras Universais,
Fábrica de Escrita
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
A mensagem de Natal
Sobre a habitual mensagem de Natal do primeiro-ministro à qual, aliás, fiz muita questão de não assistir pois tenho mais e melhor em que ocupar o tempo, só tenho uma coisa a dizer: não tenho dúvida de que perdeu uma excelente oportunidade de ficar calado. De discursos e de políticos (bac)ocos e suas promessas vãs estamos todos fartinhos. E, no meu caso pessoal, estou-me a borrifar para a esperançazinha desse tal "futuro próspero" que o 'Pedro', pelos vistos, me vai "oferecer".
E o pior de tudo é que, daqui a uma semana, ainda vou ter que gramar com as costumeiras tretas do Sr. Silva... (deve ser carma, ou algo assim do género.)
E o pior de tudo é que, daqui a uma semana, ainda vou ter que gramar com as costumeiras tretas do Sr. Silva... (deve ser carma, ou algo assim do género.)
Mas agora me lembro deste anúncio publicado aqui há uns tempos no Jornal do Fundão e interrogo-me: será que obteve resposta? Era capaz de comprar um também, talvez ainda fosse a tempo de salvar o ano novo.
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Às vezes somos um país mesmo “porreiro, pá!”
Nesta fase do ano os telejornais
regurgitam reportagens sobre os almoços natalícios
oferecidos aos sem-abrigo dos grandes centros urbanos de norte a sul
do país. Mostram-se os pratos bem cheios como se eles pudessem
fazer esquecer, neste único dia, os restantes 364 de provação e
privação, ou talvez a intenção seja mesmo anestesiar (nos
sem-abrigo e nos espectadores) a consciência de que, mais do que
comida no prato, o que falta mesmo é a esperança de, no próximo
ano, já não precisarem destas iniciativas para poderem comer uma
refeição melhorada. E parece-me bem que, sem essa esperança, toda a comida
que enche os pratos nestas almoçaradas solidárias deve ter um
travo bem amargo. Aliás, basta ver a expressão no rosto dos
comensais e a forma como a maior parte deles tenta evitar a todo o
custo as câmaras de televisão que insistem em mostrar-lhes a cara. Afinal, para os que pouco ou nada têm, nem no Natal há almoços grátis.
Depois, claro, há essa grande obra de
caridade da Sra. Jonet que periodicamente nos vem pedir alimentos
para depois redistribuir pelos que mais precisam. E, apesar das
ideias um pouco confusas da senhora sobre o nível de vida da grande
maioria dos portugueses, a verdade é que temos sorte em ter por cá
uma instituição como o Banco Alimentar que vai matando por aí a
fome a muita gente neste país.
Só é pena que todo este espírito
caritativo não chegue para dar o almoço às crianças cujos pais
deixaram de poder pagar o valor das refeições escolares (ver aqui). Pena maior
por isso estar a acontecer justamente nas escolas públicas que, por serem
(pelo menos no papel) o lugar da “inclusão” e da “formação
integral dos futuros cidadãos” deviam ser, justamente, as
primeiras a identificar e responder a estas situações. Pena,
sobretudo, por isso estar a acontecer com as poucas crianças de um
país tão velho que a pirâmide demográfica até já está
invertida. E tanto se me dá que essas crianças sejam portuguesas ou
filhas de imigrantes. Elas são é seres humanos a quem foi
intencionalmente recusado um prato de comida num refeitório escolar.
Pode parecer coisa pequena no panorama mais vasto do drama social que
estamos a viver, mas na verdade não é bem assim. Se calhar são
gestos destes que fazem os maiores estragos, pois são os que revelam
o verdadeiro carácter de uma sociedade. E não há dúvida: às
vezes somos um país mesmo “porreiro, pá!”.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
domingo, 23 de dezembro de 2012
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