sábado, 2 de fevereiro de 2013

Deixem-no falar...


Depois disto claro que a vontade é mesmo mandá-lo calar pois, manifestamente, vive num outro plano da realidade. (Na verdade, a 'realidade' dele é que devia com toda a certeza conseguir 'aguentar' mais alguma austeridade...)

Mas eu cá acho que se deve deixar falar o homem! Deixemo-lo pois dizer, desdizer-se, contradizer-se, justificar o inexplicável... ao menos com este já sabemos o que esperar e, além disso, parece que o banco até já começou a pagar o que pediu emprestado (ver aqui)

O meu problema, agora, é mais com o que estes outros pensam mas não dizem, sobretudo tendo em conta que são eles que mandam nisto e palpita-me que, para eles, a austeridade que o país consegue aguentar são apenas trocos...


Caval(h)eiro de fina estampa...

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

PREMEC


Ou seja, depois do PREC, o PREMEC: Processo Reestruturação E Modernização Em Curso. E aqui fica desde já o trailer deste relvático "evento":

Outros tempos e... outros trocadilhos

Depois de receber a visita dos inspetores da Galp à rede de gás aqui de casa e de ouvir que tenho de abrir buracos de ventilação desde as portas dos armários (sim, minha senhora, porque a estética nem sempre é funcional, sabe?, dizia um deles em tom paternalista e eu a tentar reprimir a vontade de o mandar a um sítio que eu cá sei...) até à caixa do estore da janela , mais a substituição da conduta dos gases, a afinação do esquentador, etc etc. etc. (*******???!!!!), dei comigo a lembrar-me deste anúncio com alguma nostalgia e a pensar com os meus botões: que será feito deste "homem do gás"? Isto é que era serviço eficiente... quando comparado com o destes rapazolas emproados com o seu medidor de monóxido de carbono todo xpto...

domingo, 27 de janeiro de 2013

The Dark Night Of The Soul

Sala de espera













É a sétima hora de espera num mundo
que parece estar dividido em dois
pela porta do bloco operatório que,
ao fundo do corredor, faz fronteira
entre a ansiedade dos que aqui
esperam e o tempo suspenso das
notícias sobre os que aqui são esperados.

O olhar vai percorrendo todos os pontos
possíveis da sala até ser inevitavel fixar-se
no televisor suspenso no canto superior direito
e que parece funcionar tão ininterruptamente,
como o próprio hospital. A estridência das
vozes e das cores que se sucedem no ecrã
a um ritmo imparável agudiza a exasperação
de não poder mais do que ficar aqui, parada,
à espera. Mas é apenas ao vai-e-vem
das batas brancas, caminhando a espaços
irregulares pelo corredor, que o olhar está atento.

Lentamente se escoa a sétima hora
desta espera e o vento da inquietação começa
a assobiar baixinho por dentro de mim. E,
como se a memória fosse um livro pop-up,
é de repente o cheiro a restolho da tua pele
que me invade os sentidos. Fecho os olhos
e percorro-te o corpo como quem procura
um refúgio para fintar a tempestade.

Revejo agora a ânsia com que,
em certos momentos, as nossas mãos
se procuram para entrelaçar os dedos
(talvez, na voragem de estarmos
dentro um do outro tenhamos medo
de nos perder - não um do outro -,
mas um no outro). E também
esse audível latejar do sangue
nas artérias... minhas? tuas?

Prestes a terminar a sétima hora
desta espera ainda sem fim à vista
percebo como, quase sem dar por isso,
é no teu corpo que tenho vindo a construir
a minha sala de pânico. E como corro
o sério risco de, um dia, lá ficar fechada.