quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Por coincidência

Por coincidência, no final do jogo com a Suécia, alguém se deu ao trabalho de fazer um video com os craques da seleção a agradecer o apoio dos portugueses.

Por coincidência, ficou o povo todo babadinho, até porque a seleção se qualificou para o mundial aquele.

Por coincidência, o video tornou-se logo viral e passou reiteradamente em tudo quanto  é canal de televisão e foi publicado nos jornais online (ver aqui e aqui).

Por coincidência, ontem mesmo - e uns dias mais tarde do que o habitual -, eu, tal como milhares de outros privilegiados funcionários públicos, recebi via mail uma mensagem com três anexos: o reci d venci do mês em curso, o reci do duodé do subsí de Nat e ainda um terceiro anexo, onde constava o rec do sub de fér. Aliás, continua a chamar-se àquilo "recibo" apenas por uma questão de hábito instalado, ou quem sabe por pura ironia, porque na verdade é um "corte" bem mais que um abono.

Por coincidência, andamos todos tão contentinhos com o ronaldo, a seleção e o tal de mundial e a bota de ouro do messi e mais a campanha abortada da pepsi e mais o raio que nos parta a todos que  já nem sequer reagimos.

Por coincidência, isso também convém a alguns.

Por coincidência, os (tele)jornais anunciavam também ontem que os funcionários públicos iam receber o subsídio de férias no natal e que os comerciantes, quais abutres a salivar ante a carniça fresca, já esfregavam as mãos de contentes a pensar no dinheirão que todos irão gastar em prendas, sim, porque agora podemos, claro (ler aqui). E só por causa disso, isto é, por causa do subsídio, perdão, do "corte de férias dos funcionários públicos", o consumo vai aumentar neste natal. Pelos vistos, impediram-se assim as férias para garantir agora a subida do consumo interno e para poder vir depois dizer que os funcionários públicos são mesmo uns privilegiados, vejam lá o que eles fizeram com o subsídio que tanto sacrifício o estado fez para pagar: foram gastá-lo todo em prendas de natal e olhem que eram uns largos milhões de euros. Temos mas é que lhes baixar ainda mais o ordenado a ver se esses privilegiados se controlam.

Por coincidência, ficámos ontem todos ricos, o governo é que, coitado, tem agora de suar as estopinhas para cumprir as metas do défice, ah mas eu sei muito bem de quem é a culpa! É do tribunal constitucional que obrigou o coitadinho do estado a pagar o que deve aos seus funcionários, esses privilegiadões que, na sua maioria, ganham pouco mais de 600 euros mensais e andam a chupar o sangue ao dito cujo sem fazer nada.

Por coincidência, eh pá, o ronaldo fez mesmo um granda jogo, aquilo foi mesmo brutal, pá. A jogar assim vamos à final do mundial aquele, pá. 

De repente,só por coincidência, até parece que não há mesmo coincidências... Chiça!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

domingo, 17 de novembro de 2013

Idiotismos

Esta idiota foi à televisão tentar vender o seu último livrinho e aproveitou para dizer pérolas como esta "Fico triste em ver este tipo de manifestações, que demonstram falta de civismo das pessoas que vão interromper e tentar perturbar o trabalho daqueles que neste momento governam o país" e outras que se podem ver/ouvir aqui


Despoletou de imediato reações como esta do Bruno Nogueira (ouvir aqui) e muitas outras nos media e no Facebook. E todos acharam muito bem que a fulana levasse na cabeça, incluindo eu.








Já não percebo assim tão bem é que venha este idiota à televisão e aos jornais de maior circulação, todo contentinho consigo mesmo, dizer coisas como esta: "Subir salário mínimo é estragar a vida aos pobres" e não despolete de imediato uma onda de reações em tudo análoga à que existiu para o primeiro caso. 
Até porque este idiota é convidado diariamente, muito bem pago e, provavelmente,  muito tido em conta no "arco do governo" por aqueles que andam a esmifrar isto tudo.

Muito provavelmente é porque, no primeiro caso, se trata de uma mulher, com bom aspeto e ainda por cima loura, e, no segundo, estamos perante  um homem de fato e gravata e barba na cara? 

Até nisto somos miseráveis, de facto,

domingo, 10 de novembro de 2013

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

E a peixeirada ainda mal começou

Começou bem a campanha pública de Carrilho contra a quase ex-mulher Bárbara: desde álcool e drogas, passando por depressão, traumas e abuso sexual, aquilo mais parece um manual de psicologia. Ou um filme de terror.

Nem se percebe como é que o pobre do homem, ainda por cima de reconhecido gabarito intelectual e impoluta reputação política (ou será ao contrário?) aguentou tantos anos casado com uma mulher assim tão desequilibrada...

Gostei sobretudo do modo como ele atirou desde logo os filhos menores para dentro desta tina de roupa suja lavada em público, dizendo ainda por cima que é para melhor os proteger...

Lidas algumas das suas contundentes revelações acusatórias contra a mulher ficou-me uma dúvida. Coisa assim muito pequenina: e por onde andaria tão extremoso pai pela filha pequena que alegadamente chorava de fome junto à porta, enquanto a mãe se alcoolizava fechada na cozinha?


Ao que parece, estava muito ocupado em... Paris:


Relativamente à quase ex-mulher diz que tentou "tudo", mas não refere nada de concreto. Aqui chegado, parece que a memória - tão cheia de detalhes sórdidos, até sabe quantos comprimidos ela toma diariamente para se manter magra - não tem espaço para guardar alguns exemplos que agora pudesse apontar em público sobre a forma como terá então tentado "tudo" para ajudar a companheira que, a julgar pelas descrições que faz, não demorará muito a ser internada compulsivamente numa clínica de repouso.

Muito mal contada esta história. Isso sim. Há em toda esta história algo de a "Guerra das Rosas", mas é um mau remake porque há dois miúdos pequenos envolvidos. E é só deles que tenho pena metidos no meio de semelhantes progenitores e a serem usados como meros objetos para servir interesses que, de certeza, não são os seus.


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Parece que o futuro já chegou...


... pelo menos no que aos telemóveis diz respeito. É só olhar à volta e nem precisa de ser com muita atenção.


Às vezes tenho a impressão de que, para muito boa gente, não existia vida antes do dito, tal a forma como parecem depender dele até para respirar. Parece-me té que algumas delas não sobreviveriam mais do que uma hora sem ele (os meus alunos adolescentes nem sei se aguentavam meia hora...).

Visitando um museu.

Um belo dia na praia.
Um animado jantar de amigos.
Ainda melhor: um jantar romântico a dois.

Uma espécie de "vá para fora cá dentro" (do tlm, claro está).
Confidências entre amigas.
A torcer pelo clube de eleição.
"O primeiro beijo" de David Vela Cervera (2007)
A brincar com os amigos no parque infantil.
Novas regras de etiqueta à mesa.

domingo, 27 de outubro de 2013

All Tomorrow's Parties

Quem os ouvia e quem os ouve...

Em junho de 2011, alguns dias após as eleições legislativas, PPP assegurava que tinha testosterona para dar e vender. Por isso, o povo que se preparasse e a oposição que se cuidasse... 
...
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Agora, que as eleições legislativas estão novamente no horizonte e se aproximam a largas passadas, o Mota vem de lambreta dizer que, afinal, os credores internacionais - Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia - exigiram o aumento da idade da reforma para os 67 anos, mas que o executivo rejeitou.


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Por este andar, ainda os vamos ouvir dizer que estes quatro anos de empobrecimento generalizado e de perda de direitos sociais não passaram de um grande equívoco, nosso, claro está!

E pior: é bem provável que muitos dos que, agora, andam aí nas manifestações a gritar contra o governo voltem a votar PSD em 2015. 

Ler/ver aqui
A ver vamos...

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Se não for isto, é algo muito parecido - 68

Nem sei de quem tenho mais inveja, se do fotografado, se do fotógrafo.... e não, desta vez, não se trata de uma metáfora do país ou dos contribuintes. É mesmo só isto: a vertigem em estado puro.

Fotografia de Jimmy Chin, tirada no Parque Nacional de Yosemite (Half Dome), para o National Geographic Magazine

terça-feira, 22 de outubro de 2013