quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Bolero Do Coronel Sensível Que Fez Amor Em Monsanto

A assessora

O comprimento da saia que a assessora do sr. Silva usou durante a cerimónia de condecoração de CR7 é o assunto do momento nas redes sociais e na imprensa mais rosada (ler aqui) ... Já há até "especialistas em protocolo" a opinar sobre a matéria. Só falta mesmo é perguntar a opinião da Irina Shayk. Mas, não deve tardar...
Mas eu tenho cá para mim que, se calhar, as razões que levaram a senhora a escolher aqueles trapinhos são as mesmas que motivaram Björk, nos idos de 2001, a enrolar um cisne ao pescoço e a simular a célebre cena do ventilador do metro da Marilyn Monroe...

Imagem daqui


O estado, o privado e o burro

Primeiro vêm dizer que é preciso menos estado, blá-blá-blá, blá-blá-blá... fazem a apologia da iniciativa privada e blá-blá-blá, blá-blá-blá... Mas depois, quando a iniciativa privada funciona, justamente onde o Estado já está a falhar e de que maneira - como é o caso da falta das vacinas para a gripe - vem logo esse mesmíssimo Estado dizer que não pode ser, que é ilegal e que blá-blá-blá, blá-blá-blá... Quem se lixa é que é sempre o mesmo: o burro, claro está.

Ler aqui e aqui

Se não for isto, é algo (mesmo) muito parecido - 73

Ora confiram lá num qualquer telejornal, naquele friso de emplastros que aparece sempre por detrás de qualquer ministro, se não é mesmo assim...




domingo, 19 de janeiro de 2014

Requiem pour un con




A invernia política

Depois de ler esta brilhante e inteligente afirmação (e, como sabemos, não há como um político para fazer afirmações brilhantes...)...

Imagem daqui
...comecei já a olhar para a severa invernia que se abateu sobre a lusa pátria desde há cerca de um mês com outros olhos e parece-me até que, tendo em conta a salgalhada que vai na assembleia da república sobre a questão da co-adoção e, claro, a teoria de Silvester,...

Imagem daqui
...não tardará muito a abater-se sobre nós uma seriíssima e bíblica chuva de sapos... Só pode.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Novos provérbios portugueses

Quem mais conjuga, mais sanguessuga... 

ou a pouco subtil arte de tornar o verbo "aguentar" a palavra-chave dos dias que vivemos desde há... três anos; ou ainda como já está a funcionar em pleno a máquina de preparar os espíritos da "nossa gente" (??!!) para aguentar, pelo menos, mais quatro anos de lodaçal: Há vida para além da troika, há vida com crescimento, em 2014 recuperaremos a autonomia, retomaremos a economia, em 2014 cessa o protectorado, embora não desapareçam os constrangimentos, em 2014 há um moderado lugar para a esperança, 2014 será na verdade será o primeiro ano em que se pode falar de Portugal depois da troika e da economia depois da recessão” (ler mais aqui). E o pior é que "A nossa gente" papa mesmo isto tudo...

Imagem daqui

Imagem daqui

Imagem daqui

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O regresso do filho pródigo...

ou seja, de Portugal aos mercados.

Ao que parece, quanto mais pobrezinhos estamos, mais dinheiro nos querem emprestar (ler aqui e aqui). Regozijemos, pois! 
Rembrandt van Rijn: O Regresso do Filho Pródigo;séc XVII 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

I'm Waiting Here

Propostas para o novo ano - III

Agora que se avizinham eleições várias (europeias e, depois, legislativas) e as manobras políticas habituais para as vencer, era bom que, no dia habitualmente destinado à "reflexão" dos eleitores, este video passasse nos media a cada três minutos para recreio e ilustração popular.

Propostas para o novo ano - II

Alguém com bons contactos na antiga RDA que, por favor, providencie a compra de uns quantos destes esquis para oferecer a todos os elementos do governo e já agora, se não for pedir demais, ao Sr. Silva também. 

Imagem daqui

Propostas para o novo ano - I

A julgar pelo sucesso do museu recém-aberto na Madeira (ver aqui) proponho que se coloque uma figura de cera do CR7 a segurar um cartaz tipo "Eu adoro visitar museus" à entrada de todos os museus e galerias nacionais a ver se a coisa melhora... 
Claro está que, se a figura de cera for demasiado cara para os cortes orçamentais da cultura em 2014, uns simples posters em tamanho natural, comprados a bom preço no loja do tal museu do Funchal também servem.

Imagem daqui

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Mentir ao baldão: empate técnico

Em janeiro de 2005, o líder da oposição, José Sócrates de sua graça, prometia recuperar nada mais nada menos que 150 mil empregos perdidos nos últimos três anos pelos governos PSD/CDS-PP, mas só se se os socialistas vencessem as eleições legislativas do mês seguinte (ver aqui).

Em dezembro de 2013, Passos Coelho, mais conhecido no Face como «Pedro», veio dizer que em 2013 já criou 120 mil postos de trabalho, que afinal são apenas 22 mil, segundo o INE e este jornal aqui.

Faltou-lhe, portanto, um bocadinho assim para chegar aos números aventados por Sócrates naquela campanha eleitoral. Mas não faz mal porque um disse que ia criar os empregos se ganhasse as eleições e o outro disse que já tinha criado, mas não criou nada, embora tenha ganho as eleições. Como ambos mentiram, regista-se um empate técnico neste despique ao "baldão" entre estes dois mentirosos compulsivos que deixam o Jim Carrey de "Liar, Liar" maus lençóis como, aliás, se pode confirmar já a seguir:

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Se não for isto, é algo muito parecido - 71

Évora: 23/12/2013

Narrativa das árvores - II


Quando ainda muito jovem, todo cheio de vigor e de força, o pinheiro foi implantado na linha de dunas, mesmo de frente para o atlântico, onde lutou sem descanso, às vezes corpo-a-corpo, contra o vento enfurecido, sem nunca deixar que ele o derrubasse. Mas isso foi há tanto tempo que ele já nem sabe contar.
Passados alguns anos, com o tronco todo marcado por lanhos fundos, vergado devido ao esforço excessivo e continuado, era-lhe cada vez mais difícil enfrentar o rijo vento que, para o irritar ainda mais, insistia em lhe soprar para cima das raízes a areia fina das dunas. Quando isso acontecia, só lhe apetecia gritar até fender a grossa casca ou então fugir dali, mas sabia que as raízes enterradas bem fundo na areia compactada pelo tempo nunca lho permitiriam. Às vezes, sentia-se tão cansado que as forças lhe faltavam ainda que só por breves instantes. E foi justamente numa dessas ocasiões que o vento, sempre impiedoso para com as fraquezas alheias, o derrubou sem aviso. Prostrado, ali ficou impotente a sentir como a areia das dunas se tornava a cada dia mais insinuante e ameaçadora, consciente de que, se não fizesse algo para reverter a melindrosa situação em que se encontrava, tinha os dias contados.
Certo dia, viu aproximar-se um ser diferente de todos os que conhecia e que deslizava ligeiro pela areia quente do início da tarde, deixando atrás de si um rasto ondulante. Era uma jovem serpente que, na sua busca errante por alimento e território para se estabelecer, ali tinha vindo parar por mero acaso mas que, logo percebendo que a vida por aquelas paragens não era fácil, seguiu em frente à procura de lugares mais amenos.
Enquanto o vento lho permitiu, o pinheiro observou com atenção o estranho sulco ondulante que atravessava o dorso das dunas. E muitos dias depois de desaparecido o rasto, a imagem daquele ser estranho a deslizar graciosamente pela areia ainda continuava bem viva na sua memória. Não sabia bem explicar como nem porquê, mas parecia-lhe que aquela visão misteriosa e inusitada não acontecera por acaso, que havia ali um qualquer sinal que precisava entender. Até que, numa certa manhã de ventania, quando mais uma vez perdia o fôlego a tentar inutilmente puxar as raízes, percebeu que a estranha forma de locomoção que observara talvez fosse a resposta que procurava há muito tempo para poder escapar à traiçoeira situação em que se encontrava.
Tomou, nesse mesmo instante e sem qualquer hesitação, a decisão que lhe viria a mudar a vida para sempre. Fez um grande esforço para se alhear de tudo o que o cercava, sobretudo do vento que o vinha provocar a todas as horas do dia ou da noite, e começou a concentrar-se mas, pela rigidez entorpecida do tronco tombado, logo compreendeu que não seria fácil. Por isso, redobrou a sua determinação, feita de teimosia, convicção e vontade de vencer e percebeu que a cada dia que passava conseguia chegar um tudo nada mais longe.
Até que, num luminoso dia de abril, sentiu estalar a casca de uma forma estranha e viu que uma escama larga e arredondada se formava lentamente... Logo se sentiu tomado por uma súbita e intensa alegria que lhe percorreu o cerne e o sacudiu todo até lhe deixar as agulhas a vibrar de excitação. Uma alegria como nunca havia sentido antes! Percebeu, nesse mesmo instante, que um dia conseguiria mesmo libertar-se daquele túmulo onde o vento o estava pouco a pouco a enterrar vivo, que poderia finalmente libertar-se daquela permanente obrigação de estar alerta para poder resistir e ripostar e ir ver um pouco do grande mundo que desconhecia. Ganhou então confiança e forças acrescidas para continuar o lento processo de transformação que iniciara há anos atrás.
Agora, já com o tronco bem mais oblongo e quase todo coberto de grandes escamas simétricas está cada vez mais próximo do seu objetivo único: ser, finalmente, LIVRE. 

 

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

NATAL!?



Ele aí está de novo

Ele aí está de novo, barato e colorido,
com grandes descontos e promoções,
natal de plástico e luzes made in China
com promessas de grandes famílias
trajando o melhor sorriso sintético
reunidas à volta de mesas requintadas
em cenários da House&Garden.

Ele aí está de novo, com os seus mártires
que, no shopping, mesmo à hora do telejornal,
correm ainda para comprar as prendas que, depois,
hão de vir trocar e que nunca chegarão a usar.

Ele aí está de novo, o natal dos números
- quanto maiores, melhor - e dos paralelismos inúteis
com o natal do ano anterior:
acidentes, mortos e feridos na estrada
toneladas de bacalhau e azevias engorduradas
enjoativas pirâmides de ferrero-rocher
bolos-rei comprados e não comidos
recordes do guiness
levantamentos multibanco...

Ele aí está de novo, o natal dos hospitais das prisões
dos sem-abrigo dos órfãos dos velhos dos aflitos dos sós
dos programas de televisão e das iniciativas dos famosos
- e pena é que para todos eles o natal só dure um momento -
dos peditórios para tudo e mais algumas coisas ainda
dos imparáveis sms com votos de um «santo natal
e de um ano novo muito feliz».

Ele aí está de novo, o natal
que só há mesmo nos anúncios
de perfume francês repetidos até à exaustão total.

Mas o melhor de um natal assim
é saber que já só dura mais umas horas
e depois - ufa, que alívio! -
podemos todos voltar a ser normais
e não natais.





PS - Ah, já me esquecia: Um Santo Natal para todos!