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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
cruzar o rio
| Lisboa - Ponte Vasco da Gama: 16/12/2013 |
cruzo o rio
de uma para outra margem
pelos braços abertos da ponte
mas na verdade
ponte alguma
une margens afastadas e distintas
a ponte é apenas
um expediente de passagem
um quadro mental
que nos mantém a seco
e a salvo de comoções
a ponte
não é mais do que pretexto
ilusão ou equívoco
e só o mergulho no colo tumultuoso da corrente
separaria as águas que tanto procuramos evitar
e revelaria se
no instante derradeiro
a vertigem se afogaria no suor do seu próprio medo
ou se os pulmões despertariam
finalmente
do seu torpor
e lutariam por ar
(pelo sim, pelo não
é melhor atravessar pela ponte)
finalmente
do seu torpor
e lutariam por ar
(pelo sim, pelo não
é melhor atravessar pela ponte)
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
dia solar
este sol breve que
veio espreitar pelas
frestas azuis do dia
sabe-me
na boca
como tempero de sal qb
deixa-me
na pele
um rasto de mosto doce
e pousa-me
nos olhos
uma ociosa carícia de luz
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Os mecenas de abril
Mecenas a financiar as comemorações do 25 de abril na assembleia da república? Mas que bela ideia, sra. presidente!!!!
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Proposta 2. "Esse mecenato seria junto de instituições das quais não viesse a leitura de qualquer forma de ‘lobby' sobre o Parlamento. Pensámos em fundações de utilidade pública, somente", acrescentou ela logo a seguir.
E por que não esta, dirigida em tempos que já lá vão por um in-suspeito membro do atual governo e atualmente dirigida por uma in-suspeita membra do anterior governo? "Lobby" sobre o Parlamento? Hummm. Ná... não temos cá disso...
E por que não esta, dirigida em tempos que já lá vão por um in-suspeito membro do atual governo e atualmente dirigida por uma in-suspeita membra do anterior governo? "Lobby" sobre o Parlamento? Hummm. Ná... não temos cá disso...
E sempre podíamos iniciar a transmissão direta na RTP 1 com uma nova versão daquela musiquinha "Eu gosto é d'Assunção": ...e ao fim do dia, bem abraçados, a ver o 25 d'abrile... patrocinado por uma fundação qualquer...
sábado, 15 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Piada, piada...
era se, depois do caso amoroso de Hollande com a atriz,
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da badalada selfie de Obama com a dinamarquesa, mesmo nas barbas da Michelle e da aventura com a cantora (suposta, ou não, ainda é cedo para sabermos...)
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viéssemos a descobrir que, afinal, eles os dois é que andam de "caso" um com o outro.
Pelo menos a julgar pela catadupa de notícias e de imagens em que ambos revelam uma tão grande sintonia política, mãos apertadas por cima da mesa, de olhos nos olhos e sorrisos no rosto, ou caminhando lado-a-lado e fazendo adeuses muito juntinhos à varanda, brindes com champanhe ao jantar...não sei, não sei...
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Afinal, anda mesmo tudo relacionado...
Há dias, o ministro da economia declarava, de forma não muito clara, mas em tom compungido, que...
| Ler notícia aqui |
Começo agora a perceber melhor a que "famílias" se estava ele a referir...
| Ler notícia aqui |
Foi certamente por isso que este "chefe de família" já foi até falar com o padrinho ...
| Ler notícia aqui |
E, com a notícia vinda hoje a público sobre uma das pensões de reforma do próprio sr. Silva e de mais uns quantos desvalidos da política nacional...
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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
E por falar em praxes..
E para estes veteranos da praxação que nos andam a humilhar em grande há vários anos não vai mesmo nada, nada, nada nas próximas eleições?
É que, afinal, no meio desta confusão toda..
.
| como se pode ler/ver aqui |
Basta substituir, nesta espécie de "árvore genealógica", a palavra "caloiro" por "contribuinte", para se perceber logo como várias coisas começam a fazer mais sentido.
Aliás, restam-me poucas dúvidas de que esta "árvore genealógica" está na origem de diversas "praxes" a começar pela do próprio Orçamento do Estado para 2014.
Afinal, o que a "tragédia do Meco" veio lembrar foi que:
1 - anda por aí à solta gente muito perigosa, disfarçada sob várias capas, incluindo a de estudante universitário, mas que devia estar era atrás das grades;
2 - de uma certa forma, enquanto coletivo, não somos mais do que caloiros a ser praxados por um governo que lhe tomou o gosto e já não quer outra coisa;
3 - quase 40 anos depois do 25 de Abril verificamos, não sem alguma surpresa - que temos andado todos (a tal geração mais qualificada de sempre) a aprender nada mais que a sujeição ao que de pior nos podem fazer - humilhação e achincalhamento públicos -, embora sempre disfarçada por uma boa camada de placebo que dá pelo nome de liberdade individual (o tempo que as autoridades competentes demoraram a acordar do seu torpor e a começar a investigar o que verdadeiramente se passou no Meco é disso uma boa prova - ver aqui).
Afinal, talvez seja isto o que mais nos dói quando se visionam as imagens das "praxes" aberrantes que se fazem alegre e impunemente aí pelo país fora com o beneplácito de quem nos governa: temos andado a formatar uma geração de gente submissa que está pronta até a arriscar a vida só para obedecer aso seus adorados "duxes".
E nem mil reuniões no ministério da educação, seguidas de mil reportagens chocantes nos telejornais, e mais mil "prós-e-contras" na televisão e outras tantas mil horas de debates e opiniões várias chegarão para disfarçar o mal-estar que todos sentimos perante uma situação que pôs a nu a nossa humilhante condição coletiva de "caloiros" nas mãos de quem nos tem governado, ou melhor, praxado ao longo destes últimos anos.
E de tal forma temos andado "anestesiados" que foi preciso morrerem 6 de uma só vez naquela praia (as mortes ocorridas ao longo dos anos anteriores nunca conseguiram chamar-nos verdadeiramente a atenção) para percebermos o que nos aconteceu a nós e o que temos andado a permitir que aconteça aos jovens que são, dizem, o futuro deste país.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Publicidade enganosa,
sábado, 25 de janeiro de 2014
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Impostos
Noticia-se aqui que o "Estado arrecada mais 3,2 mil milhões de euros só com IRS em 2013", tendo a receita do IRC "subido 803,3 milhões de euros face a 2012". Em 2014, suplantar estes números não será uma tarefa fácil para o governo mas ideias não faltam, como se pode comprovar neste registo vídeo...
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
A assessora
O comprimento da saia que a assessora do sr. Silva usou durante a cerimónia de condecoração de CR7 é o assunto do momento nas redes sociais e na imprensa mais rosada (ler aqui) ... Já há até "especialistas em protocolo" a opinar sobre a matéria. Só falta mesmo é perguntar a opinião da Irina Shayk. Mas, não deve tardar...
Mas eu tenho cá para mim que, se calhar, as razões que levaram a senhora a escolher aqueles trapinhos são as mesmas que motivaram Björk, nos idos de 2001, a enrolar um cisne ao pescoço e a simular a célebre cena do ventilador do metro da Marilyn Monroe...
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O estado, o privado e o burro
Primeiro vêm dizer que é preciso menos estado, blá-blá-blá, blá-blá-blá... fazem a apologia da iniciativa privada e blá-blá-blá, blá-blá-blá... Mas depois, quando a iniciativa privada funciona, justamente onde o Estado já está a falhar e de que maneira - como é o caso da falta das vacinas para a gripe - vem logo esse mesmíssimo Estado dizer que não pode ser, que é ilegal e que blá-blá-blá, blá-blá-blá... Quem se lixa é que é sempre o mesmo: o burro, claro está.
| Ler aqui e aqui |
Se não for isto, é algo (mesmo) muito parecido - 73
Ora confiram lá num qualquer telejornal, naquele friso de emplastros que aparece sempre por detrás de qualquer ministro, se não é mesmo assim...
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
domingo, 19 de janeiro de 2014
A invernia política
Depois de ler esta brilhante e inteligente afirmação (e, como sabemos, não há como um político para fazer afirmações brilhantes...)...
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...comecei já a olhar para a severa invernia que se abateu sobre a lusa pátria desde há cerca de um mês com outros olhos e parece-me até que, tendo em conta a salgalhada que vai na assembleia da república sobre a questão da co-adoção e, claro, a teoria de Silvester,...
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...não tardará muito a abater-se sobre nós uma seriíssima e bíblica chuva de sapos... Só pode.
domingo, 12 de janeiro de 2014
Novos provérbios portugueses
Quem mais conjuga, mais sanguessuga...
ou a pouco subtil arte de tornar o verbo "aguentar" a palavra-chave dos dias que vivemos desde há... três anos; ou ainda como já está a funcionar em pleno a máquina de preparar os espíritos da "nossa gente" (??!!) para aguentar, pelo menos, mais quatro anos de lodaçal: “Há vida para além da troika, há vida com crescimento, em 2014 recuperaremos a autonomia, retomaremos a economia, em 2014 cessa o protectorado, embora não desapareçam os constrangimentos, em 2014 há um moderado lugar para a esperança, 2014 será na verdade será o primeiro ano em que se pode falar de Portugal depois da troika e da economia depois da recessão” (ler mais aqui). E o pior é que "A nossa gente" papa mesmo isto tudo...
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
O regresso do filho pródigo...
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Propostas para o novo ano - III
Agora que se avizinham eleições várias (europeias e, depois, legislativas) e as manobras políticas habituais para as vencer, era bom que, no dia habitualmente destinado à "reflexão" dos eleitores, este video passasse nos media a cada três minutos para recreio e ilustração popular.
Propostas para o novo ano - II
Alguém com bons contactos na antiga RDA que, por favor, providencie a compra de uns quantos destes esquis para oferecer a todos os elementos do governo e já agora, se não for pedir demais, ao Sr. Silva também.
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Propostas para o novo ano - I
A julgar pelo sucesso do museu recém-aberto na Madeira (ver aqui) proponho que se coloque uma figura de cera do CR7 a segurar um cartaz tipo "Eu adoro visitar museus" à entrada de todos os museus e galerias nacionais a ver se a coisa melhora...
Claro está que, se a figura de cera for demasiado cara para os cortes orçamentais da cultura em 2014, uns simples posters em tamanho natural, comprados a bom preço no loja do tal museu do Funchal também servem.
Claro está que, se a figura de cera for demasiado cara para os cortes orçamentais da cultura em 2014, uns simples posters em tamanho natural, comprados a bom preço no loja do tal museu do Funchal também servem.
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terça-feira, 31 de dezembro de 2013
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Mentir ao baldão: empate técnico
Em janeiro de 2005, o líder da oposição, José Sócrates de sua graça, prometia recuperar nada mais nada menos que 150 mil empregos perdidos nos últimos três anos pelos governos PSD/CDS-PP, mas só se se os socialistas vencessem as eleições legislativas do mês seguinte (ver aqui).
Em dezembro de 2013, Passos Coelho, mais conhecido no Face como «Pedro», veio dizer que em 2013 já criou 120 mil postos de trabalho, que afinal são apenas 22 mil, segundo o INE e este jornal aqui.
Faltou-lhe, portanto, um bocadinho assim para chegar aos números aventados por Sócrates naquela campanha eleitoral. Mas não faz mal porque um disse que ia criar os empregos se ganhasse as eleições e o outro disse que já tinha criado, mas não criou nada, embora tenha ganho as eleições. Como ambos mentiram, regista-se um empate técnico neste despique ao "baldão" entre estes dois mentirosos compulsivos que deixam o Jim Carrey de "Liar, Liar" maus lençóis como, aliás, se pode confirmar já a seguir:
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Narrativa das árvores - II
Quando
ainda muito jovem, todo cheio de vigor e de força, o pinheiro foi
implantado na linha de dunas, mesmo de frente para o atlântico, onde
lutou sem descanso, às vezes corpo-a-corpo, contra o vento
enfurecido, sem nunca deixar que ele o derrubasse. Mas isso foi há
tanto tempo que ele já nem sabe contar.
Passados alguns anos, com o tronco todo marcado por lanhos
fundos, vergado devido ao esforço excessivo e continuado, era-lhe
cada vez mais difícil enfrentar o rijo vento que, para o irritar
ainda mais, insistia em lhe soprar para cima das raízes a areia fina
das dunas. Quando isso acontecia, só lhe apetecia gritar até fender
a grossa casca ou então fugir dali, mas sabia que as raízes
enterradas bem fundo na areia compactada pelo tempo nunca lho
permitiriam. Às vezes, sentia-se tão cansado que as forças lhe
faltavam ainda que só por breves instantes. E foi justamente numa
dessas ocasiões que o vento, sempre impiedoso para com as fraquezas
alheias, o derrubou sem aviso. Prostrado, ali ficou impotente a
sentir como a areia das dunas se tornava a cada dia mais insinuante e
ameaçadora, consciente de que, se não fizesse algo para reverter a
melindrosa situação em que se encontrava, tinha os dias contados.
Certo
dia, viu aproximar-se um ser diferente de todos os que conhecia e que
deslizava ligeiro pela areia quente do início da tarde, deixando
atrás de si um rasto ondulante. Era uma jovem serpente que, na sua
busca errante por alimento e território para se estabelecer, ali
tinha vindo parar por mero acaso mas que, logo percebendo que a vida
por aquelas paragens não era fácil, seguiu em frente à procura de
lugares mais amenos.
Enquanto
o vento lho permitiu, o pinheiro observou com atenção o estranho
sulco ondulante que atravessava o dorso das dunas. E muitos dias
depois de desaparecido o rasto, a imagem daquele ser estranho a
deslizar graciosamente pela areia ainda continuava bem viva na sua
memória. Não sabia bem explicar como nem porquê, mas parecia-lhe
que aquela visão misteriosa e inusitada não acontecera por acaso,
que havia ali um qualquer sinal que precisava entender. Até que,
numa certa manhã de ventania, quando mais uma vez perdia o fôlego a
tentar inutilmente puxar as raízes, percebeu que a estranha forma de
locomoção que observara talvez fosse a resposta que procurava há
muito tempo para poder escapar à traiçoeira situação em que se
encontrava.
Tomou,
nesse mesmo instante e sem qualquer hesitação, a decisão que lhe
viria a mudar a vida para sempre. Fez um grande esforço para se
alhear de tudo o que o cercava, sobretudo do vento que o vinha
provocar a todas as horas do dia ou da noite, e começou a
concentrar-se mas, pela rigidez entorpecida do tronco tombado, logo compreendeu que não seria fácil. Por isso, redobrou a sua determinação, feita de teimosia, convicção e vontade de vencer e percebeu que a cada dia que passava conseguia chegar um tudo nada
mais longe.
Até
que, num luminoso dia de abril, sentiu estalar a casca de uma forma estranha e viu que uma escama larga e arredondada se formava lentamente... Logo se sentiu tomado por uma súbita e intensa alegria
que lhe percorreu o cerne e o sacudiu todo até lhe deixar as agulhas
a vibrar de excitação. Uma alegria como nunca havia sentido antes! Percebeu, nesse mesmo instante, que um dia
conseguiria mesmo libertar-se daquele túmulo onde o vento o estava
pouco a pouco a enterrar vivo, que poderia finalmente libertar-se
daquela permanente obrigação de estar alerta para poder resistir
e ripostar e ir ver um pouco do grande mundo que desconhecia. Ganhou
então confiança e forças acrescidas para continuar o lento
processo de transformação que iniciara há anos atrás.
Agora,
já com o tronco bem mais oblongo e quase todo coberto de grandes
escamas simétricas está cada vez mais próximo do seu objetivo único: ser, finalmente, LIVRE.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Ele aí está de novo
Ele aí está de novo, barato e
colorido,
com grandes descontos e promoções,
natal de plástico e luzes made in China
com promessas de grandes famílias
trajando o melhor sorriso sintético
reunidas à volta de mesas requintadas
em cenários da House&Garden.
PS - Ah, já me esquecia: Um Santo Natal para todos!
com grandes descontos e promoções,
natal de plástico e luzes made in China
com promessas de grandes famílias
trajando o melhor sorriso sintético
reunidas à volta de mesas requintadas
em cenários da House&Garden.
Ele aí está de novo, com os seus
mártires
que, no shopping, mesmo à hora do telejornal,
correm ainda para comprar as prendas que, depois,
hão de vir trocar e que nunca chegarão a usar.
Ele aí está de novo, o natal dos números
- quanto maiores, melhor - e dos paralelismos inúteis
com o natal do ano anterior:
acidentes, mortos e feridos na estrada
toneladas de bacalhau e azevias engorduradas
enjoativas pirâmides de ferrero-rocher
bolos-rei comprados e não comidos
recordes do guiness
levantamentos multibanco...
Ele aí está de novo, o natal dos hospitais das prisões
que, no shopping, mesmo à hora do telejornal,
correm ainda para comprar as prendas que, depois,
hão de vir trocar e que nunca chegarão a usar.
Ele aí está de novo, o natal dos números
- quanto maiores, melhor - e dos paralelismos inúteis
com o natal do ano anterior:
acidentes, mortos e feridos na estrada
toneladas de bacalhau e azevias engorduradas
enjoativas pirâmides de ferrero-rocher
bolos-rei comprados e não comidos
recordes do guiness
levantamentos multibanco...
Ele aí está de novo, o natal dos hospitais das prisões
dos sem-abrigo dos órfãos dos velhos
dos aflitos dos sós
dos programas de televisão e das iniciativas dos famosos
- e pena é que para todos eles o natal só dure um momento -
dos peditórios para tudo e mais algumas coisas ainda
dos imparáveis sms com votos de um «santo natal
e de um ano novo muito feliz».
Ele aí está de novo, o natal
que só há mesmo nos anúncios
de perfume francês repetidos até à exaustão total.
Mas o melhor de um natal assim
é saber que já só dura mais umas horas
e depois - ufa, que alívio! -
podemos todos voltar a ser normais
e não natais.
dos programas de televisão e das iniciativas dos famosos
- e pena é que para todos eles o natal só dure um momento -
dos peditórios para tudo e mais algumas coisas ainda
dos imparáveis sms com votos de um «santo natal
e de um ano novo muito feliz».
Ele aí está de novo, o natal
que só há mesmo nos anúncios
de perfume francês repetidos até à exaustão total.
Mas o melhor de um natal assim
é saber que já só dura mais umas horas
e depois - ufa, que alívio! -
podemos todos voltar a ser normais
e não natais.
PS - Ah, já me esquecia: Um Santo Natal para todos!
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
O direito na cidade
Um óbvio piscar de olhos à série "O sexo e a cidade"...
mas que, tratando-se de mulheres e de Portugal, só podia dar nisto...
Uma coisa é certa: ganhem ou não o processo disciplinar da Ordem, as cinco advogadas já são um sucesso nas bocas do mundo e, sobretudo, tornaram-se virais no Youtube. Provas mais do que suficientes para concluir que o anúncio - fora da caixa para os padrões habituais na profissão e no país - cumpriu em pleno os objetivos visados e que anda mas é por aí muita dor de cotovelo. Dinheiro muito bem empregue, portanto.
Meninas, aproveitem para ir celebrar à grande aí na Avenida da Liberdade...
Meninas, aproveitem para ir celebrar à grande aí na Avenida da Liberdade...
domingo, 15 de dezembro de 2013
outonal
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
domingo, 8 de dezembro de 2013
Antigamente, tudo era diferente
De vez em quando aparecem coisas assim. Neste caso, feitas pelos alunos das escolas do 1º ciclo das freguesias rurais de Montemor-o-Novo. Nã há dúveda, estes gaiatos sã mêmo uns artistas.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Qualquer coisa
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Cátia e Ivan - ou a vida suburbana, hoje
Primeira curta-metragem produzida em exclusivo para um revista digital portuguesa: a Carrossel Magazine. Foi escrita por Ricardo Adolfo - sim, esse mesmo, o do romance Maria dos Canos Serrados - e realizada por Jorge Cramez (ver aqui).
domingo, 1 de dezembro de 2013
sábado, 30 de novembro de 2013
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
narrativa das árvores - I
começa a deixar pender a cabeça para trás dos montes
as sobreiras de casca enrugada
e com o saber de gerações vincado no
tronco
parecem enfileirar-se devagar pela encosta
lembram um rebanho
que se agrupa em busca de proteção
contra a mordedura do frio
que se agrupa em busca de proteção
contra a mordedura do frio
- ou até contra o medo - que repassa
as grandes noites espessas
que precedem o solstício de inverno
as grandes noites espessas
que precedem o solstício de inverno
talvez o façam
porque no seu cerne ainda guardam
porque no seu cerne ainda guardam
a memória ancestral
das genesíacas águas que tudo alagaram
talvez o façam
porque sentem no mais profundo das suas raízes
a crescente aridez do solo
e querem perscrutar no horizonte longínquo
as nuvens dispersas que adivinhem as chuvas a haver
ou talvez o façam
apenas pelo mais puro e simples prazer
de se contemplarem
no rubor crepuscular
do narcísico espelho das águas paradas
das genesíacas águas que tudo alagaram
talvez o façam
porque sentem no mais profundo das suas raízes
a crescente aridez do solo
e querem perscrutar no horizonte longínquo
as nuvens dispersas que adivinhem as chuvas a haver
ou talvez o façam
apenas pelo mais puro e simples prazer
de se contemplarem
no rubor crepuscular
do narcísico espelho das águas paradas
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Por coincidência
Por coincidência, no final do jogo com a Suécia, alguém se deu ao trabalho de fazer um video com os craques da seleção a agradecer o apoio dos portugueses.
Por coincidência, ficou o povo todo babadinho, até porque a seleção se qualificou para o mundial aquele.
Por coincidência, o video tornou-se logo viral e passou reiteradamente em tudo quanto é canal de televisão e foi publicado nos jornais online (ver aqui e aqui).
Por coincidência, ontem mesmo - e uns dias mais tarde do que o habitual -, eu, tal como milhares de outros privilegiados funcionários públicos, recebi via mail uma mensagem com três anexos: o reci d venci do mês em curso, o reci do duodé do subsí de Nat e ainda um terceiro anexo, onde constava o rec do sub de fér. Aliás, continua a chamar-se àquilo "recibo" apenas por uma questão de hábito instalado, ou quem sabe por pura ironia, porque na verdade é um "corte" bem mais que um abono.
Por coincidência, andamos todos tão contentinhos com o ronaldo, a seleção e o tal de mundial e a bota de ouro do messi e mais a campanha abortada da pepsi e mais o raio que nos parta a todos que já nem sequer reagimos.
Por coincidência, isso também convém a alguns.
Por coincidência, isso também convém a alguns.
Por coincidência, os (tele)jornais anunciavam também ontem que os funcionários públicos iam receber o subsídio de férias no natal e que os comerciantes, quais abutres a salivar ante a carniça fresca, já esfregavam as mãos de contentes a pensar no dinheirão que todos irão gastar em prendas, sim, porque agora podemos, claro (ler aqui). E só por causa disso, isto é, por causa do subsídio, perdão, do "corte de férias dos funcionários públicos", o consumo vai aumentar neste natal. Pelos vistos, impediram-se assim as férias para garantir agora a subida do consumo interno e para poder vir depois dizer que os funcionários públicos são mesmo uns privilegiados, vejam lá o que eles fizeram com o subsídio que tanto sacrifício o estado fez para pagar: foram gastá-lo todo em prendas de natal e olhem que eram uns largos milhões de euros. Temos mas é que lhes baixar ainda mais o ordenado a ver se esses privilegiados se controlam.
Por coincidência, ficámos ontem todos ricos, o governo é que, coitado, tem agora de suar as estopinhas para cumprir as metas do défice, ah mas eu sei muito bem de quem é a culpa! É do tribunal constitucional que obrigou o coitadinho do estado a pagar o que deve aos seus funcionários, esses privilegiadões que, na sua maioria, ganham pouco mais de 600 euros mensais e andam a chupar o sangue ao dito cujo sem fazer nada.
Por coincidência, eh pá, o ronaldo fez mesmo um granda jogo, aquilo foi mesmo brutal, pá. A jogar assim vamos à final do mundial aquele, pá.
De repente,só por coincidência, até parece que não há mesmo coincidências... Chiça!
terça-feira, 19 de novembro de 2013
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
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