quarta-feira, 1 de outubro de 2014
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
sábado, 20 de setembro de 2014
Com tanto pedido de desculpas...
e o mais que está para vir, o melhor é arranjar já um formulário, mas em papel porque as coisas não andam boas para portais e plataformas online...
domingo, 14 de setembro de 2014
Papagaio de fogo
terça-feira, 9 de setembro de 2014
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Mortal Kombat - XI
No PS começou o Torneio Final. Os Antónios, ou melhor, Seguro e Costa como são conhecidos no jogo, já lutam no ringue com afinco. Afinal, só haverá um vencedor e só ele poderá ocupar o trono. É por isso o tudo ou nada para evitar ser banido para o Submundo.
E neste 1º round, o das federações distritais, os resultados deixam antever a dureza da refrega que virá a seguir: Seguro - 9; Costa - 10 (ler notícia aqui).
Mas o Mortal Kombat não se faz aqui só de campeões. São precisos também vastos exércitos para manter as forças do mal à distância. Torna-se imperioso reunir aliados e encontrar generais para os liderar na batalha final e ocupar os postos de vigia depois de a mesma ter terminado. E neste particular verifica-se já que Costa não só está em boa forma como luta com armas temíveis: a experiência política e a grande manha. Percebe-se, pois, que este não será um torneio fácil para o campeão em título, Seguro, mas pouco...
Presidentes de concelhias:
Seguro - 128; Costa - 180
Presidentes de câmara:
Seguro -70; Costa - 80
Certo é que, seja qual for o vencedor deste torneio, ainda não será desta que o reino fica a salvo.
domingo, 7 de setembro de 2014
sábado, 6 de setembro de 2014
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
As cinquenta dores de corno de Valérie e os dentes podres de Hollande
De modo discreto, certamente para impedir alguma providência cautelar por parte do ex, Valérie Trierweiler largou nos escaparates um objeto - chamar-lhe livro é capaz de ser perigoso para a verdadeira literatura - que mais não é do que o refluxo gástrico de uma indigestão - aliás plenamente assumida, faça-se-lhe justiça por isso -, que coloca na sombra as "Cinquenta sombras de Grey" de E. L. James.
No twitter não tardaram a surgir imagens com excertos daquilo a que na minha terra se costuma chamar uma boa "lavagem de roupa suja", num estilo de escrita conforme ao conteúdo, como convém.
| Imagem retirada do Twitter |
E, à catadupa dos aspectos mais sórdidos, segue-se agora a contra-sequência dos excertos elogiosos, como este retirado do L'Express, ou não houvesse bons assessores de imagem no palácio do Eliseu, nos quais a imagem de vingadora-rotweiller da senhora sai um bocadinho amachucada. Parece até que, das duas uma: ou, na sua juventude, a senhora leu demasiados romances de amor ao melhor estilo "Biblioteca das Moças", de que a França tem longa tradição, ou então anda a praticar umas coisinhas novas no "quarto vermelho da dor" para ver se reconquista o Hollande, que é capaz de já andar um bocado farto de croissants...
Ridículos e podres à parte, e mesmo a 20 euros, certo é que o livro vai vender-se como milho porque se há coisa que o povinho gosta é de espreitar alcovas pelo buraco da fechadura e aqui a porta está escancarada. Será um "best seller" pelas piores razões.
Parece-me que a traição Hollande - coisa, enfim, tão banal - se tornou afinal o grande erro da sua vida: perdeu uma companheira e cúmplice verdadeiramente à sua altura política, a qual, como se sabe, não é muita e a história dos "sans dents" (ler aqui) é disso um excelente exemplo. Agora, vai ter que dar mais voltas à cabeça para descobrir a chamada "saída airosa". Sim, que a França diz-se agora "chocada", mas todos sabemos como nestas coisas de políticos e de política a memória do povo é fraquinha, fraquinha...
De qualquer forma, Trierweiler fecha a silly season com chave de ouro. O pessoal tem entretenimento que chegue para uns tempos e os políticos, incluindo o Hollande e a sua pandilha, agradecem, reconhecidos, a folga.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Tesourinhos imprevistos - I
A TAP, num outro mês de agosto, com mais "ativos" e certamente com menos "exigências operacionais" ou, quem sabe, talvez com menos portugueses "a viver acima das suas possibilidades" (ler aqui).
| Anúncio publicado no jornal Público em agosto de1999 |
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Elucubrações sobre as primárias do PS
Em primeiro lugar há que destacar o discreto regresso do partido ao socialismo científico, não o de Marx, claro está, que esse continua bem guardado na gaveta, mas a algo cientificamente ainda mais avançado... É que este partido extraordinaire conseguiu fazer aquilo que a empresa americana de criopreservação Alcor (ler aqui) anda afincadamente a tentar sem sucesso desde 1967: ressuscitar os mortos.
| Imagem daqui |
| Imagem daqui |
Mas há mais:. No PS, o futuro - entenda-se, as legislativas de finais de 2015 - é já agora. Senão vejamos: os outdoors espalhados pelo país anunciam a eleição do "candidato a primeiro-ministro", algo que, só por si, já constitui um salto temporal significativo. Mas, a julgar pelos segundos 0:07 a 0:09 do spot publicitário do António Costa apelando à inscrição e ao voto na sua candidatura, trata-se mesmo é de eleições legislativas antecipadas: "trata-se de escolher quem será o próximo primeiro-ministro", diz o candidato sem qualquer pudor, com as cores da bandeira nacional em fundo...certamente para tornar a ficção mais verosímil...
Por isso, das duas, uma: ou estamos perante uma campanha que oscila entre a venda agressiva e a publicidade enganosa, ao melhor estilo dos produtos milagrosos que prometem fazer perder 30 Kg em dois dias, ou então trata-se mesmo é da rodagem do episódio-piloto de uma nova temporada da conhecida série de ficção científica "Flashforward" (ver trailer aqui)...
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
espelho de água
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
terça-feira, 5 de agosto de 2014
As mulheres da minha rua: casadas, donas-de-casa e mulheres-a-dias
| Évora: julho 2014 |
Na rua onde a
minha vida esteve confinada durante décadas também havia famílias tradicionais.
Várias até. Quase em frente da dona Rosa viviam duas delas: no rés-do-chão, a
do polícia e, no primeiro andar do mesmo prédio, a do negociante de palhas e
fenos. Em tempos de dificuldades económicas generalizadas, estes casais estavam
classificados na hierarquia socio-económica da rua como remediados, embora se situassem claramente abaixo da menina Graça e
da sua tradicional família de proprietários de um número considerável de
habitações e lojas, cujas rendas garantiam uma vida confortável e até, situação
única na rua, uma criada que, desde muito jovem, trabalhava e vivia a tempo
inteiro na casa, um grande prédio de fachada sóbria mas quase imponente, quando
comparada com a simplicidade e até rusticidade das restantes casas da rua.
O sinal mais
evidente deste relativo desafogo financeiro era o facto de as respectivas
esposas serem ambas donas-de-casa, dedicadas em exclusivo às tarefas domésticas
e à criação dos filhos. E há quatro décadas atrás, esta circunstância estava
ainda na origem de uma outra hierarquia, mais subtil, mas nem por isso menos
importante na rua. Estas mulheres formavam uma espécie de agremiação com regras
muito próprias, convivendo quase só entre si, numa cumplicidade que se queria,
contudo, pública e notória pois tinha como objectivo marcar a distinção relativamente
às outras vizinhas: estas donas-de-casa sentiam-se superiores às que, devido à
necessidade de aconchegar a economia doméstica, saíam todas as manhãs para
trabalhar fora de casa, quase sempre como mulheres-a-dias. Para além de ser
exclusivamente feminina, era também mais perversa, uma vez que se estendia à
própria prole que brincava com as bonecas nos poiais das portas ou ao esconder
pelas esquinas e ombreiras das ruas adjacentes, demarcando territórios
exclusivos e intransponíveis. Certas vizinhas - como a dona Alice por exemplo,
que fazia limpezas numa repartição pública, não integrando este restrito
microcosmo -, eram contudo toleradas na sua órbita porque aceitavam funcionar
como satélites de transmissão, levando e trazendo as mais recentes novidades e
rendilhados detalhes sobre a vida alheia a qualquer hora do dia e sobretudo ao
serão, nos umbrais das portas, quando as noites quentes propiciavam longas e
ciciadas conversas, naquilo que mais não era do que a forma expedita de as
donas-de-casa evitarem expor-se demasiado no seu afã de obter as informações
que lhes permitiam depois emitir juízos de valor infalíveis e definitivos sobre
todos os habitantes das redondezas.
Para com
todas as que, por falta de disponibilidade ou de paciência, ou até por feitio,
não se deixavam enredar nesta teia de pequenos poderes, a atitude da dona
Dulce e da dona Esperança, como se chamavam, era substancialmente distinta,
sendo notório o ligeiro ar de desdém com que observavam as vizinhas que logo
de manhã bem cedo desciam a rua, apressadas, a caminho do trabalho,
cumprimentando-as com um certa condescendência e vincando, com
aquela presença ociosa à janela, o estatuto social que acreditavam
ser não apenas diferenciado, mas sobretudo superior: afinal, elas eram as únicas esposas da
rua que não precisavam trabalhar fora de casa.
Também as
filhas de ambas, de idades muito próximas e, ao tempo, ainda miúdas de escola
primária, já levavam muito a sério esta condição de
meninas-mais-bem-que-as-outras-meninas-da-mesma-idade que então viviam na rua e
cuja convivência devia ser evitada o mais possível por serem mais pobres do que elas. Por isso,
brincavam juntas nas respectivas casas ou à tardinha no poial da porta, sempre
sob a vigilância atenta de uma das mães, não fosse alguma das outras crianças, que durante as férias de verão corriam livremente e aos berros rua acima e rua
abaixo durante todo o dia, intrometer-se ou mesmo molestá-las, quem sabe?. Nunca, em todos
aqueles anos de infância e pré-adolescência, as vi correr uma única vez pela
rua fora, certamente para não desobedecerem às zelosas mães que
consideravam tão radical actividade coisa muito pouco própria de
meninas-de-bem. Na verdade, o máximo que lhes estava permitido era caminhar sempre
ao lado das mães, com passinhos curtos, muito compostas e compenetradas nos
seus vestidinhos rodados feitos pela modista, mais parecendo adultas em
miniatura.
Neste
território social tão bem demarcado o domingo constituía, sem dúvida, o ponto
alto da semana pois a missa do meio-dia em Santo Antão, antecedida da catequese
que ambas as raparigas frequentavam,
significava quase sempre estrear um novo vestido. E durante a manhã era vê-las,
a subir e a descer a rua, coisa que durante a semana não faziam justamente para
se distinguirem das restantes crianças, sem que houvesse qualquer motivo
aparente que justificasse tão inusitada azáfama, muitas vezes sob o olhar
enternecido das mães que, das janelas, observavam a impecável compostura da sua
descendência. Embora a passadeira vermelha não passasse aqui de tosca calçada
de granito, tratava-se na verdade de um desfile que procurava cumprir dois
objectivos: para as mães, era uma forma de mostrar a toda a vizinhança que
tinham a folga financeira suficiente que lhes permitia, para além de manter as
esposas em casa, mandar fazer vestidos para as filhas a um ritmo quase semanal
– algo que nenhuma das outras famílias podia proporcionar às suas crianças
senão uma ou duas vezes por ano, se as coisas corressem bem – para as filhas, significava fazer pirraças
disfarçadas à miudagem da zona, que as gozava impiedosamente por serem tão
empertigadas, ou, como então dizíamos, porque tinham a mania.
Só bem mais
tarde, quando as correrias loucas nas férias de verão se foram tornando menos
frequentes e começámos a apreciar com olhos adolescentes as roupas que
vestíamos é que este rito dominical nos permitiu perceber até que ponto não
éramos, de facto, todos iguais naquela rua. E foi então que, certamente apercebendo-se
dessa nossa insidiosa consciência, as duas raparigas passaram a exibir-se ainda
mais orgulhosas a cada semana que passava como se estivessem cientes de que, apesar
da chacota de que tinham sido alvo, afinal, sempre tinham sido elas o centro
daquele pequeno mundo. Uma delas, a Julinha, como lhe chamavam, ganhou mesmo o
hábito de caminhar tão empertigada pela rua como se tivesse todas as vértebras
coladas, de cabeça muito levantada e ligeiramente inclinada para um lado,
olhando sempre em frente e para cima, como se à sua volta nada importasse ou
sequer existisse.
Ora, andar
assim numa cidade de ruas sinuosas, com calçadas irregulares rematadas por
lancis mal acabados é, no mínimo, imprudente.Algo que ficou, aliás, sobejamente demonstrado no dia em que a menina
Júlia, então já com uns dezassete anos, tal como eu, ao seguir para a missa dominical
- talvez envergando mais um novíssimo vestido rodado – se estatelou com espalhafato, mas certamente em grande estilo, debaixo das arcadas e foi necessário chamar uma ambulância que a levasse ao hospital onde descobriu que tinha partido o tornozelo. Lembro-me ainda da onda de ohs e de ahs espantados que atravessou a rua de
ponta a ponta pelo infortúnio da menina Júlia. Logo a uma menina tão ajuízadinha e bem comportada! se fosse uma dessas rufias que anda na rua o dia inteiro, ainda se percebia, agora a Julinha, coitadinha, não merecia!... Só que o Fado, como é sabido, foi sempre uma
divindade caprichosa...
Ainda hoje recordo, com o mesmo irreprimível sorriso de então, a forma como a pesada e desengraçada bota de gesso estragava irremediavelmente a estreia de qualquer vestido, por melhor que fosse a modista, e como o saltitante catwalk em duas canadianas refreou um pouco as peneiras amaneiradas da menina Júlia e me deixou cá a pensar que em algum estranho e remoto lugar do universo, afinal, havia uma coisa chamada “justiça poética”. Cruel, sem dúvida, mas eficaz. Algo fundamental quando na adolescência se tem de encarar o futuro com borbulhas no rosto*...
Ainda hoje recordo, com o mesmo irreprimível sorriso de então, a forma como a pesada e desengraçada bota de gesso estragava irremediavelmente a estreia de qualquer vestido, por melhor que fosse a modista, e como o saltitante catwalk em duas canadianas refreou um pouco as peneiras amaneiradas da menina Júlia e me deixou cá a pensar que em algum estranho e remoto lugar do universo, afinal, havia uma coisa chamada “justiça poética”. Cruel, sem dúvida, mas eficaz. Algo fundamental quando na adolescência se tem de encarar o futuro com borbulhas no rosto*...
* Verso da canção “Não há estrelas no céu”, do álbum Mingos & Os
Samurais de Rui Veloso, lançado em 1990.
terça-feira, 29 de julho de 2014
terça-feira, 8 de julho de 2014
Critérios de (in)justiça
Uma conhecida alegoria apresenta a Justiça como uma mulher cega segurando uma balança. Embora seja totalmente contra a discriminação de pessoas com deficiência, parece-me que, no caso particular da justiça e tendo em conta o que vai por este país fora, talvez fosse melhor dar o emprego a outra pessoa.
Talvez assim se evitassem alguns ridículos constrangimentos, para além das perdas de tempo e de dinheiro dos nossos impostos... Felizmente que, no tribunal de Faro, alguém parecia ter os olhos um pouco mais abertos... (ler notícia aqui)
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