domingo, 5 de junho de 2011

É a democracia (dizem). Seja lá isso o que for.

Dos (con)vencedores e dos (con)vencidos ou os discursos da noite eleitoral




















Altifalantes

Altifalam vozes
nos salões e nas praças
nos ouvidos nos tumultos
martelam esmurram gritam palmejam
comunicam urram.
Conferências discursos aspectos e palavras
lições homenagens notas do dia e da semana
et nunc et semper.
Discursos almicos encomendados traduzidos
decorados divertidos ambaquistas.
Palavras dactilografadas improvisos ponderados
palavras dinâmicas magnéticas.
Altifalam palavras.
Hora de camaleões e altifalantes.

Mendes de Carvalho, In Camaleões & Altifalantes, Guimarães Ed., 1988.

sábado, 4 de junho de 2011

O poema e a sua desconstrução

Amor

Cala-te, a luz arde entre os lábios,
e o amor não contempla, sempre
o amor procura, tacteia no escuro,
essa perna é tua?, esse braço?,
subo por ti de ramo em ramo,
respiro rente à tua boca,
abre-se a alma à língua, morreria
agora se mo pedisses, dorme,
nunca o amor foi fácil, nunca,
também a terra morre.

Eugénio de Andrade


Évora, 4/6/2011
Desamor

nunca o amor foi fácil, nunca

nunca o amor foi fácil
nunca o amor foi
nunca, o amor
nunca

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Ainda sei o que prometeste no inverno de 2005

Em 2005, Sócrates prometeu, garantiu e jurou pôr Portugal a crescer 3% ao ano, criar 150 mil postos de trabalho e aumentar a convergência entre o nível de vida português e o europeu, caso ganhasse as eleições:
Refrão:
Outdoor das Legislativas 2005
No dia 20 de Fevereiro de 2005 o povo votou e deu-lhe maioria absoluta no parlamento. O "rumo" que Portugal tomou desde então é bem conhecido e pode resumir-se na expressão "dar  o passo maior que a perna". Claro que há a conjuntura internacional desfavorável e o mundo em mudança, e todo esse blá-blá-blá que ele repete... Ah, e já me esquecia: a oposição...
Refrão:
Outdoor das legislativas 2005
Em 2009, perdeu a maioria, mas venceu novamente as eleições. Sobretudo à conta do deserto em que a oposição do centrão se transformou e  porque o povo, pelos vistos, ainda não estava psicologicamente preparado para aceitar a dura e feia realidade... Durou pouco mais de um ano o segundo capítulo do sonho (ou será delírio) de Sócrates de vir a ser o novo Marquês de Pombal da história portuguesa ou, em alternativa, o salvador da pátria: novo aeroporto, tgv, scut's e autoestradas com fartura, etc, etc. E agora que a torneira do dinheiro secou vem novamente e pela terceira vez pedir que "acreditemos" nele e no seu "projecto" de poder:
Refrão:
Outdoor das Legislativas 2005
Quanto ao povo não sei: acho que o medo do que pode vir a acontecer se... é que vai definir e decidir as coisas. Quanto a mim, sei que nunca acreditei e não é agora que vou começar. Tudo o resto é uma grande incógnita (ou talvez não tanto assim) que só o dia 5 esclarecerá.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Arroz de povo à portuguesa

Agora que a campanha eleitoral entrou na sua recta final e, por isso, está quase em apoteose, aqui fica uma excelente receita que pode ser servida nos almoços e jantares que se desmultiplicam incansavelmente de norte a sul do país. Até porque, de barriga vazia está o povo farto e, por isso, campanha à portuguesa faz-se sobretudo à mesa. Não só rima como é verdade. Ora então cá vai a receitinha, mesmo a tempo das derradeiras iniciativas com que os partidos contam angariar os últimos e decisivos votos que possam fazer deles os vencedores do dia 5, mesmo contra ventos e marés, isto é, sondagens e previsões. Claro está que é uma 'receita de autor':


Receita para cozinhar arroz de povo  à portuguesa
 
Esta receita, simples de preparar, foi-me gentilmente cedida por um candidato a deputado em posição elegível. É uma forma fácil e segura de cozinhar o povo, um molusco tão procurado em tempo de campanha eleitoral, muitas vezes incompreendido, devido ao líquido escuro que guarda na bolsa do  ferrado e que lança contra quem o persegue, dando mau gosto aos cozinhados. O ditado "É melhor o molho que a raia" aqui não se aplica, claro está, pois ficaria você ferrado com o pratinho estragado, rima e é verdade.

Prepara bem o povo, batendo até amolecê-lo; tenha o cuidado de verificar se o comprou bem morto, pois assim pode cortar o povo em pedaços sem que ele se queixe. Pique duas cebolas, dois dentes de alho e um ramo de salsa, para atenuar o gosto amargo que o povo deixa na boca de quem o come. Deite tudo num tacho, ou numa panela de pressão, que o povo, no estado em que está, não vai notar a diferença. Mexa metodicamente o povo para que não se agarre ao tacho que não lhe pertence. Deixe cozer suavemente, durante cerca de uma hora (ou 30 minutos na panela de pressão) até o povo estar macio. Regue com 2 dl de vinho tinto, que será o último vinho que bebe, e deixe-o cozer a bebedeira durante dez minutos. Meça o líquido resultante da cozedura do povo e carescente á gua, não vá o povo pensar que é dia de festa, de modo a ter o dobro do volume de 350 g de arroz de grão redondo, pois desta forma poderá o povo ser comido por mais pessoas.
Lave o arroz e introduza-o na panela com o povo. Tempere com sal e pimenta, que, para além de picado, o povo ficará também picante. Não exagere, contudo, nos temperos, pois demasiado picante, o povo torna-se indigesto. Polvilhe-o com ovo cozido picado e com salsa para que o povo fique mais apresentável. Sirva-se quente e devore-se o povo num jantar de comemoração de vitória eleitoral.

Sousa Rutra

Observ. - E fiquem todos descansados que eu, apesar de não ter o hábito de participar nesses tais almoços, jantares e outras sessões mais ou menos gastropolíticas, não me esquecerei de ir votar no próximo domingo, para dar o meu contributo pessoal para o pratinho de arroz de povo que há-de encher a barriguinha aos nossos esfomeados líderes políticos.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

"Hallelujah" para Leonard Cohen

... pelo Prémio Príncipe das Astúrias 2011, mas sobretudo pela poesia e pela música. É nelas que quase sempre descanso ao final dos meus dias.

Cansados
Estamos cansados de ser brancos e estamos cansados de ser pretos e não vamos continuar a ser brancos e não vamos continuar a ser pretos nem por um segundo mais. Agora vamos passar a ser vozes, vozes desencarnadas no céu azul, harmonias agradáveis nas cavidades do nosso tormento. E permaneceremos assim até atinarem, até o vosso sofrimento vos acalmar, e poderem acreditar na palavra de Deus que vos disse bastas vezes, e de várias maneiras, para se amarem uns aos outros, ou pelo menos para não torturarem e assassinarem em nome da estupidez e do vómito de uma qualquer ideia humana que faz com que Deus se afaste de vocês e escureça o cosmos com um desgosto inconcebível. Estamos cansados de ser pretos, e não vamos continuar a ser brancos e não vamos continuar a ser pretos nem por um segundo mais.

Leonard Cohen, In Livro do Desejo (Trad. de Vasco Gato), Ed. Quasi.

Os "enjoadinhos" (às vezes até "enjoativos") têm hoje o seu dia

Só mesmo Vinicius para "inventar" algo assim...

terça-feira, 31 de maio de 2011

Que se mudem os seres e não apenas os tempos

Já se sabe que a net funciona como as redes de arrastão: apanha tudo. E um dias destes o acaso trouxe-me esta imagem de um anúncio americano de tabaco do início da década de 70 - "vintage" como agora se diz.

 A ideia central do anúncio - reforçada pelo slogan "Blow in her face and she'll follow you anywhere." (o ponto final faz disto uma frase declarativa, portanto uma certeza) -, é básica, para não dizer primária, literalmente. Baseia-se na ideia de que a sedução não é um acto recíproco e sim uma manifestação da vontade (mais capricho até!) do homem sobre a da mulher. Tal como o domador de feras no circo usa o chicote para mostrar quem manda, aqui o homem usa o fumo do cigarro, atirando-o propositadamente para o rosto dela, para manifestar qual é a sua disposição do momento. E esta, assim o sugere ainda a imagem, será imediatamente satisfeita por uma mulher tornada submissa pelo efeito quase hipnótico desse mesmo fumo.

Destaca-se a atitude do homem que, sem se mexer, se limita a olhar-lhe o rosto com uma expressão quase indiferente e até sobranceira, enquanto nela o movimento do corpo acompanha claramente a direcção do olhar que se eleva para o rosto masculino, como se ela estivesse já a levantar-se e a preparar-se para o seguir, como promete o slogan. Os seus lábios entreabertos não indicam apenas que está a inalar o fumo do cigarro dele, indiciam que vai beijá-lo certamente por não conseguir resistir ao seu poder de atracção... (ou seja, quem fumava Tipalet nem precisava de dar um passo, elas é que se vinham oferecer-se ao fumador para que ele lhes fizesse o enorme favor de as seduzir).

É óbvio que estes corpos estão em rota de colisão e não é difícil imaginar a cena que se seguirá... Aliás, mais directo que isto - e volto aqui ao slogan que serve de ponte visual entre as duas figuras – não deve ser fácil. Imagino que, por causa dele, a campanha publicitária tenha sido um sucesso no seu tempo e que os lucros da tabaqueira americana tenham subido em flecha.

A imagem, contudo, intrigou-me também porque havia nela qualquer coisa de familiar, do tipo «onde é que eu já vi isto?». Só depois me lembrei: havia, na imprensa nacional da mesma época, um anúncio ao tabaco Kart em tudo semelhante a este.

In "Vida Mundial", 7/2/1969
Uma idêntica atitude de "proprietário" que examina de perto a "propriedade" e, no rosto dela, a mesma expressão de mulher encantada e rendida ao poder másculo e sedutor do homem, por via do fumo do tabaco com que ele, propositadamente, lhe cobre o rosto...

Mas há também algumas diferenças óbvias: a começar por uma maior distanciação entre os corpos (repare-se como até os lábios dela estão fechados, embora esboçando um discreto sorriso), que é compensada pelos braços estendidos de ambos. Embora de uma forma mais discreta é claramente ela quem roda o tronco e o rosto na direcção dele, enquanto o olhar se fixa no rosto masculino.

Tudo nesta imagem aponta para um estrato social mais elevado, a contrastar com a informalidade tipo classe média do casal representado no anúncio americano (ao qual se podem associar outras ideias como ‘juventude’, ‘espírito desempoeirado’ e ‘moderno’). Aqui, a forma como ela está penteada e vestida (little black dress), as jóias que ostenta, os breves apontamentos cénicos (o champanhe a refrescar no cooler, o castiçal com a vela acesa, ambos de prata) e ainda o fato dele, o modelo clássico do relógio de pulso, a própria delicadeza do gesto com que toca no rosto feminino, tudo remete para uma classe social que, além de endinheirada, sabe aproveitar bem a vida e, por isso, mais do que frequentar festas, vive em festa. No fundo, promove-se uma certa ideia da ascensão e do sucesso social que a publicidade ao tabaco sempre soube explorar de forma magistral.

Pormenor ainda mais curioso é o facto de o slogan - construído ao estilo de um provérbio popular, com rima e ritmo binário: “O presente inesperado é o mais desejado” - referir um “presente” cujo destinatário é identificado só depois no texto: ela é que lhe ofereceu os cigarros com que "Ele" (assim mesmo, com maiúscula) agora lhe defuma o rosto e a seduz ao mesmo tempo. O toque da mão no rosto dela, que antes parecia apenas um gesto de sedução sobranceira, pode assim interpretar-se também como um agradecimento formal pelo presente recebido. Tudo muito inocente... Como convinha nos idos de 69 e num país governado pela beatice que, para disfarçar os vícios privados, se cobria de públicas virtudes. E não há como a publicidade para jogar com os duplos sentidos.

Ora, mais de três décadas cheias de acontecimentos e supostas mudanças depois, seria de esperar que, até na publicidade, as coisas já fossem diferentes. Mas não é bem assim. As campanhas publicitárias do desodorizante masculino Axe são disso um exemplo paradigmático, sendo que, por se tratar de imagens em movimento, a mensagem oferece ainda maior expressividade e dinamismo.



Estão cá todos os esterótipos da sedução, a pretexto de um charmoso que se encharca em desodorizante no elevador (sendo assim giro não se percebe a lógica de usar Axe, mas enfim...) e que deixa atrás de si uma nuvem de perfume. O incauto passageiro que se segue - com um conveniente ar banal, quase tótó -, é o improvável beneficiário de uma situação em que nem precisa esboçar um único gesto, enquanto a jovem mulher (insinuante no seu minimalista little black dress), é instantânea e irreprimivelmente transformada em ninfomaníaca descontrolada por efeito do rasto intenso de perfume no ar... Numa relação de causa-efeito como só na publicidade se pode ver, ela atira-se de imediato ao anódino passageiro qual leoa em cio. Embora apanhado de surpresa, o homem não se faz rogado e deixa-se seduzir sem hesitações. Minutos depois, ela sai do elevador alisando o vestido, já totalmente (re)composta da 'empolgante' experiência e pronta para outra, que é como quem diz, para outro, e avança decidida como se fosse ao seu encontro.

E assim se passam, galhardamente, duas pouco edificantes mensagens de uma só vez: a de que os homens (desde que usem o tal Axe, claro!) podem seduzir todas as mulheres sem excepção e sem mexerem sequer um dedo; e a de que as mulheres, no fundo, são umas descontroladas que, sob pretextos tão fúteis quanto um desodorizante de cheiro enjoativo, estão dispostas a tudo só para terem sexo.

Na verdade, até há uma ligeira alteração relativamente aos anúncios anteriores: as mulheres neste tipo de anúncio já não se limitam a deixar/esperar de forma passiva que os homens as seduzam - como acontecia no tempo dos anúncios vintage -, antes ‘atacam’ de modo indiscriminado e sem qualquer pudor todo e qualquer um que lhes apareça à frente e cheire bem. Ou seja, do ponto de vista estritamente publicitário e masculino (o público-alvo destes anúncios), as mulheres tornaram-se 'predadoras sexuais'. E, a julgar ainda por estas imagens, são os homens que agora se deixam levar. Pela forma como reagem, parecem é ter ficado todos um tanto ou quanto tolinhos quando comparados com os belos 'exemplares' dos anúncios vintage. Qualquer possível e desejável evolução deste tipo de esterótipos sexistas morre assim na praia, de forma inglória. Paradoxalmente, parecem-me agora até bem mais ferozes do que há algum tempo atrás. E por certo não é a falta de imaginação, ou alguma crise de criatividade, que leva os publicitários a continuar a usá-los de forma recorrente... 

Resumindo: haverá forma mais eficaz de reduzir tudo e todos à sua mais sórdida e boçal possibilidade do que um anúncio publicitário bem feito? Não creio. Mas o mais grave de tudo é verificar como, ainda hoje, com o séc. XXI já bem crescidinho, este tipo de mensagem continua a fazer caminho nas cabeças dos homens e mulheres que as observam sem reflectir muito naquilo que lhes está a ser mostrado.

Resta-me, pois, esperar que se mudem os seres a ver se, com o tempo, certa publicidade se decide a mudar também, mas para melhor.

O jardim em volta do caminho

A espiral perfumada que (se) inspira

O fogo (sem) artifício que se ergue para saudar o sol
Agora, todas as manhãs e por escassos instantes, é como se uma nesga do éden há muito perdido se abrisse junto ao portão da escola.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Existo a caminhar e é quanto basta

Origem

Princípio?!
Eu sei lá onde comecei...

Só dei por mim criança já vivida
a subir uma íngreme descida
(e a falar duma infância de visões)
sem me importar de ser mendigo ou rei.

Princípio?
Eu tive um, certo estou disso.
Mas que me importa
e vos importa a vós,
se eu não penso ir bater à vossa porta
nem à de meus avós?

Existo! É quanto basta,
a caminhar...
(o resto não interessa ao meu programa
seja-me a vida mãe, seja madrasta)
Existo. É quanto basta.

Ao meu programa
só interessa o meu lema:
- não parar.

Joaquim Vermelho, In Poesia (1944/1950), ETZ, 2003.

Aditamento

à postagem "Balizas Ontológicas"

Recém-chegado à Índia, Bloom manifesta de imediato a sua vontade de aprender "como é que / a biologia se equilibra com o infinito" e pede a Anish que o conduza até um sábio.

Shankra, o sábio que "aprendera com as árvores a ser velho", apresenta-lhe então uma espécie de versão oriental da máxima filosófica enunciada por Zé Fernandes: 
"Um homem é as dez palavras fundamentais que usa,
os três amigos que tem e as cinco acções mais
importantes que fez."(1).

Digamos assim: não só, mas também. E concluo por aqui este aditamento. Logo se verá até onde é que esta autêntica e antológica "Viagem à Índia" nos vai levar.

(1) Excertos de Viagem à Índia (Canto VII) de Gonçalo M. Tavares, Ed. Caminho, 2010.

sábado, 28 de maio de 2011

Poesia acabada de colher...

Palavrador

O papel,
antes do poema,
é um chão depois da chuva.

O idioma do grão
lavra a caligrafia do pão.

Mia Couto, In Tradutor de Chuvas,
Ed. Caminho, 2011.

...e comprada agora há pouco na feira do livro

Tristeza

A minha tristeza
não é a do lavrador sem terra.

A minha tristeza
é a do astrónomo cego.

Mia Couto, In Tradutor de Chuvas,
Ed. Caminho, 2011.

(A)variações para uma manhã de maio

A meio da manhã, no mercado semanal, até as galinhas tiveram que se abrigar pois choviam trinta maios* de uma vez só...
Estremoz, 28/5/2011
Condenadas, mas compostinhas...
* Provérbio popular: Chovam trinta Maios e não chova em Junho.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Caderneta de cromos em tournée pelo país - II

Este novo capítulo antologia da autêntica campanha de humor nacional que decorre até ao dia 5 de junho, comprova que temos bem mais do que políticos, temos verdadeiros entertainers da política, o que é totalmente distinto. Com eles a política é um espectáculo e a governação um show de variedades, ou melhor, um «evento» como agora se diz. Claro que os media também dão aqui uma boa ajudinha: nada como tirar do seu contexto certas afirmações para depois fazer a festa. Até porque, como cantava o Zeca Afonso, "o que faz falta é animar a malta", mas agora com um remate distinto: o que faz falta é o povo dar o poder aqui à malta...

Caderneta de cromos em turnée pelo país - I

Há mesmo de tudo nesta campanha, sobretudo mais do mesmo, ou seja, de coisa alguma: vazio total, da esquerda à direita, passando pelo centro, pelos "comícios mais pequenos do mundo" com que o MEP "dá música" aos seus possíveis votantes, pela harmonia "natural" do PAN, isto é, pela defesa dos animais em detrimento dos vegetais, pelas anedotas de alentejanos de Louçã e pelas oscilações de registo discursivo de Sócrates (algures entre a abertura ao diálogo e o orgulhosamente só). Uma delícia! Nem os Gato Fedorento fariam melhor...

Afinal, ainda há mundos por descobrir debaixo dos nossos pés

Ao que parece, as areias do Egipto ainda escondem muitos segredos. Com a ajuda dos satélites da NASA, a arqueóloga Sarah Parcak e a sua equipa da Universidade do Alabama, EUA, andam a descobrir pirâmides como quem apanha tortulhos no montado: 17 ao todo. Duas das supostas pirâmides já foram até confirmadas por escavações iniciais. Descobriram até sob o deserto uma autêntica cidade perdida (ver aqui). A arqueologia moderna inicia agora e assim uma nova e empolgante etapa. E a série "Indiana Jones" também conhecerá certamente novos episódios. (Talvez já não com o Harrison Ford o que, do meu ponto de vista, é de lamentar mas, em Hollywood, a idade não perdoa, de facto.)

Para os arqueólogos, ao que tudo indica, trabalho não vai faltar...