domingo, 11 de dezembro de 2011

para a Eleita da poesia

Diogo de Macedo: Busto de Florbela Espanca,
1949, Jardim Público de Évora






















Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho...
                                       E não sou nada!...

Florbela Espanca, "Vaidade" (Livro de Mágoas, 1919),
In Sonetos Completos, Coimbra: Livraria Gonçalves, 1950, 8ª ed.

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