segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Metáforas (quase) naturais - VIII


Estremoz, 26/9/2010
 As labaredas do desencontro consomem muitas vezes de forma voraz a matéria de que são feitas certas estórias da vida impossibilitando-nos assim de as resolver, superar ou encerrar em devido tempo. É por isso que, sob o sopro pertinaz da vontade, da angústia ou do desejo se reacendem facilmente as chamas que, de novo, envolvem no seu ardente abraço os despojos carbonizados que permaneceram do fogo já passado. Contudo, é de breve folêgo esta  segunda vida de um fogo que arde, mas quase sem chamas, sem calor, sem brilho e que se esvai rapidamente em cinzas mortiças.

São estórias mal resolvidas que, embora nos assombrem os dias e os pensamentos, não têm mais lenha por onde arder. E assim, de forma quase inglória, se extingue de vez o fogo. Dele e das altas chamas que iluminaram a noite não ficará então mais do que um toco inútil na clareira da memória.